CAFEICULTURA – Flores e segurança no campo são preocupações do produtor

Uma abordagem atual sobre florada e futura sobre a necessidade uma atuação política mais efetiva

e com recursos concretos

 

A florada de café nos últimos dias abriu e muitos estão aguardando o desenrolar das próximas semanas para verificar o comportamento de “pegamento” de chumbinho. Uma vez que as flores ficaram visíveis a olho nu, são poucas lavouras com potencial de “pegamento” da florada.

 

A maioria das lavouras da região cafeeira em Minas Gerais está com pouco potencial e quase nada de vigor nas plantas. Muitos produtores de café já se preparam para novo ciclo e novamente vivem as incertezas de uma safra vindoura. As lavouras estão com muitas flores, mas como diz a máxima: “flor não é fruto”. Agora tem início uma “salada” de informações para derrubar mercado. Na verdade, a realidade é que poucos falam que a safra 2021/22 foi pequena e a lei da oferta e procura, em algum momento, prevalecerá.

 

O clima foi determinante para esta safra e o stress hídrico fez com que as lavouras se preparassem para pior. Então, lançam as flores para deixar sua perpetuação da espécie. Realidade no campo, estresse no mercado e incertezas políticas começam a gerar complicações futuras. De fato, na ponta de todo o processo, os produtores já estão preparados para esse tipo de acontecimento e muita pressão. O mercado já está baixando os insumos e custo já começa a ser o fator de equilíbrio das duas pontas. O produto está sendo entregue aos armazéns com qualidade para exportação e o mercado interno sofrerá novamente com os preços mais altos na gôndola dos supermercados.

 

Já há casos que foi ofertado para o resíduo chamado de “escolha”, retirado das máquinas de café, quase ao mesmo valor ofertado no café tipo 6/7. Isso demonstra que a lei de oferta de cafés no mercado nacional será de pequena. Quanto as travas de café, muitos produtores renegociaram junto as cooperativas para não terem o nome negativado, rolando juros e postergando as dividas futuras

 

A POLÍTICA COMO INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO

Chegou o momento em que os eleitos parlamentares do setor do agro devem dar mais atenção aos cafeicultores, direcionando ao Congresso leis que possam atender o setor que gera renda e emprego no país.

 

Uma das ações seria alterar o limite dos pequenos produtores de café, os chamados “pronafianos”. Hoje o teto de custeio até 260.000 reais os custeios e as DAP (Declarações de Aptidão Produtor), tomadas de recursos financeiros de teto de 500 mil reais. Deveria ser dobrado o teto, sendo 1.000.000,00 milhão de reais, devido ao reajuste de preços do café.

 

Atualmente fica inviável tomar recursos em bancos pelo cruzamento de dados através de CPF e CNPJ pela ligação de contas, pois o tomador fica impedido no análise de crédito. As medidas são simples e com a evolução dos tempos o produtor fica de mãos atadas e não cresce.

 

Nosso país é conhecido no agro e os brasileiros precisam conhecer a realidade do campo. Muitos não pesquisam e ficam reféns de informações desencontradas. Na hora de escolher o representante, para defender o agronegócio, apoiam pessoas que desconhecem a realidade do campo, situação que afeta toda uma cadeia produtiva.

 

Nossos vizinhos como a Argentina, estão passando necessidade do básico na alimentação e nosso Brasil é rico na alimentação. Porém, falta é sermos inteligentes o suficiente para que o Brasil não se torne uma Argentina. Temos que dar as mãos nesse momento e não pensar em poder e sim somar as forças para gerar mais emprego, mais renda e garantir o sustento dos brasileiros.

 

Somos uma nação cuja população tem pouca escolaridade e muitos não prestam atenção nos fatos que podem afetar a economia e até mesmo gerar uma crise mundial. Temos que explicar ao colega colaborador no campo que sua atitude de escolha depende da continuidade do sustento da família e até mesmo da segurança no meio rural.

 

Se todos tiverem formas de trabalhar e o campo gerar renda, automaticamente faltará emprego e haverá uma diminuição das invasões e roubos no campo.  Não existe negócio de campo seguro, é só marketing. Precisamos sim de ações inteligentes e efetivas para o campo gerar emprego e renda. Já estamos próximo ao êxodo rural. O homem do campo está indo para cidade por falta de segurança no campo. As leis não protegem o homem do campo, que se tornam reféns com o passar do tempo. Não tem leis que punem o infrator e os agentes de segurança já não estão dando conta de reprimir. Isto porque as leis favorecerem os infratores com penas leves e até mesmo não cumprindas.

 

Temos que melhorar nosso país, nossa cultura e o campo.

 

Fernando Barbosa

Produtor Rural em São Pedro da União

Presidente da Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas