Confira a íntegra da Nota de Esclarecimento assinada pelo Delegado da Polícia Civil, Dr. Adnan Cassiano Grava
“A POLÍCIA CIVIL DE MINAS GERAIS, por meio da 30ª Delegacia de Muzambinho/MG, vem esclarecer, após investigação, episódio acontecido durante a carreata do último sábado, 24/10/2026, onde um homem teria, supostamente, sido amarrado, torturado e submetido ao escrache público pelas ruas da cidade.
Imagens veiculadas em mídias sociais, numa primeira análise, impressionam pelo contexto e maneira em que foram formatadas, principalmente pelo viés político-partidário. Todavia, com mais profundidade vislumbramos sensíveis e importantes pontos que afastam o que se cogitou inicialmente, ou seja, crime de tortura.
O homem, conhecido de toda cidade, se deparou com carreata quando passava pela Rua Cap. Heliodoro Mariano, gritando plenos pulmões o nome do candidato adversário. Trazia na mão direita um copo de bebida (não identificada). Quando teve oportunidade, por vontade própria, espontânea e sem qualquer ato violento de terceiro, sentou-se numa “carretinha” participante do ato, levantando os braços, ainda em gritos bradando seu candidato oposicionista.
A “carretinha” era rebocada por um trator, que seguia em baixa velocidade, oportunizando, então, ao inusitado passageiro, que descesse a qualquer instante.
Não houve, repetimos, ato violento, nem força físicа, arrebatamento ou coação à obriga-lo se colocar naquela situação. Aliás, salientamos, não estava amarrado, afinal, segurava um copo com os braços erguidos.
Durante o trajeto, ainda na mesma rua, o que se viu foi um banho de água, direcionado deliberadamente ao homem. Nesse tocante, então, cogitamos a possibilidade criminosa, pois crível o ultraje e exposição depreciativa. Contudo, qualquer providência criminal imprescinde da manifestação de vontade da própria vítima ou de eventuais representantes, o que, por ora, não aconteceu.
Ainda durante o trajeto, a Polícia Militar foi chamada por alguns participantes, porque o “passageiro da carretinha” se recusava a descer. Quando, então, exatamente num posto de gasolina, o homem finalmente saltou, sob ordens dos militares. Caminhava normalmente e não reclamou de absolutamente nada e ninguém.
Pelo constatado, não só por imagens de várias câmeras, mas também em entrevistas com testemunhas, forçosa a conclusão de que, definitivamente, não houve tortura, nem qualquer ato criminoso violento. A situação foi, em verdade, criada pelo próprio cidadão, que se viu exposto e recebeu água no rosto (eventual crime a ser reprimido, mas que depende exclusivamente de sua manifestação volitiva).
A Polícia Civil sempre se pauta pela verdade real dos fatos, com base probatória sólida, no desempenho de seu mister constitucional em franca reverencia à mais lídima Justiça. E entendendo como necessário, a par da repercussão instalada em toda cidade e região, vem a público esclarecer o que se apurou até o momento.”
AMAURI JR NEWS
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