Polícia Civil deflagra Operação Nêmesis contra tortura mediante sequestro e extorsão em Passos/MG

Nesta data, 29 de outubro de 2026, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), com apoio da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal, deflagrou a Operação Nêmesis, destinada ao cumprimento de mandados de prisão preventiva e de busca domiciliar no município de Passos/MG.

A ação decorre de investigação que apura os crimes de tortura mediante sequestro e extorsão praticados contra um homem de 49 anos e sua mãe, de 85 anos, em 30 de setembro de 2026.

DINÂMICA DOS FATOS

Conforme apurado durante a investigação, o crime teria sido motivado pela suspeita de que a vítima, de 49 anos, havia praticado um furto em um estabelecimento comercial. A partir dessa alegação, os investigados teriam se articulado para impor uma espécie de justiça privada, conhecida como ‘Tribunal do Crime’, com o objetivo de obter uma confissão e exigir o pagamento de R$ 5 mil a título de ressarcimento pelos supostos bens subtraídos.

Segundo os elementos reunidos, cinco suspeitos teriam invadido a residência da vítima, rendido o homem e agredido sua mãe, uma idosa de 85 anos, durante a ação. Em seguida, a vítima foi retirada à força do imóvel e conduzida a pé por vias públicas, sob grave ameaça e cercada pelos envolvidos, que estariam armados com barras de ferro e outros instrumentos contundentes.

Em determinado ponto da via, os suspeitos submeteram a vítima a intensas agressões físicas, com socos, chutes e golpes de barras de ferro, além de violência psicológica. A brutalidade da ação provocou perda de consciência e diversas lesões, incluindo fratura.

As investigações também reuniram elementos indicativos de que a ação estaria inserida em um contexto de imposição de regras e punições à margem da atuação estatal, associado ao chamado ‘Poder Paralelo’.

CUMPRIMENTO DAS ORDENS JUDICIAIS E PRISÕES

Com base nos elementos de informação reunidos, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva dos cinco investigados e pela expedição de quatorze mandados de busca domiciliar em endereços relacionados à investigação. As medidas foram autorizadas pelo Poder Judiciário e cumpridas nesta data, 29 de outubro de 2026, no âmbito da Operação Nêmesis.

Durante a ação, três investigados, de 24, 26 e 32 anos, foram localizados e presos em cumprimento aos mandados de prisão preventiva.

Em um dos endereços, na residência do investigado de 26 anos, foram encontrados entorpecentes, incluindo maconha, cocaína e crack, além de uma balança de precisão. Diante dos elementos constatados no local, o homem e sua companheira, de 23 anos, também foram presos em flagrante.

Os presos foram encaminhados ao sistema prisional e permanecem à disposição da Justiça. As investigações prosseguem para o completo esclarecimento das circunstâncias dos crimes e das eventuais conexões entre os envolvidos.

O SIMBOLISMO DA OPERAÇÃO NÊMESIS

Na tradição mitológica grega, Nêmesis simboliza a justiça retributiva diante da arrogância daqueles que se julgam acima das leis e dos limites que regem a convivência social. A escolha do nome para a operação expressa a resposta institucional da Polícia Civil de Minas Gerais à imposição do chamado ‘Tribunal do Crime’, mecanismo pelo qual indivíduos, à margem da legalidade, procuram assumir o poder de julgar, punir e intimidar outras pessoas.

Os elementos apurados indicam que a violência investigada teria sido empregada não para proteger a comunidade, mas para impor medo, constranger vítimas e testemunhas e preservar interesses próprios, em um contexto relacionado à criminalidade local e ao tráfico de drogas.

A Operação Nêmesis reafirma a atuação do Estado no enfrentamento à violência e às tentativas de imposição de poder paralelo. A investigação e o cumprimento das medidas judiciais representam a resposta das forças de segurança a práticas que afrontam a ordem jurídica, a liberdade dos cidadãos e a segurança da população.

EQUIPES ENVOLVIDAS

Equipe de investigação: Inspetor Gustavo, Subinspetor Lucas, Escrivães Alerrandra e Carlos, Investigadores Júnia, Ronaldo e Ricardo.

Apoio operacional durante a deflagração: Polícia Civil (Delegados de Polícia Dr. Matheus e Dr. Felipe, Investigadores Tamires e Bruno), Polícia Militar (representada pelos oficiais Major Prata, Capitão Edno e Capitão Marinho) e Guarda Civil Municipal (representada pelo Comandante Héberson).

Coordenação: Delegado de Polícia Dr. Ismael.

Fonte: PCMG

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