Fake News: “Quem é de verdade sabe quem é de mentira”

Cada vez mais nos encontramos mergulhados no avanço da globalização que, numa avassaladora evolução, se mostra dependente dos meios informáticos e telemáticos, tornando rotinas de trabalho, operacionalização de sistemas e até mesmo o sistema educacional mais abrangente e acessível a um maior número de pessoas.

 

O atendimento de grande parte dos órgãos públicos do país já passou a ofertar quase a integralidade de seus serviços através da internet. Por óbvio que a pandemia de Covid-19 contribuiu para o distanciamento social e a presença mínima do cidadão em locais de aglomeração. Mas não podemos negar que as tecnologias são meios que permitem sanar diversas questões do mundo atual. A exemplo, poupamos bastante tempo de nosso dia-a-dia deixando de comparecer às filas de repartições públicas e podendo requerer diversos serviços eletronicamente.

 

Ocorre que muitas mazelas vêm junto dos benefícios da evolução tecnológica. Como exemplo, a disseminação de pensamentos desrespeitosos, odiosos e preconceituosos. Não se pode confundir a liberdade de expressão com a exposição nua e crua de quaisquer ideias que venham a ferir a intimidade e privacidade alheias.

 

Infelizmente, um dos absurdos que o povo brasileiro tem arduamente combatido nos últimos tempos tem sido as famigeradas Fake News. O assunto já foi tão debatido e difundido que possivelmente poucas pessoas devem desconhecer o que é o tema. No entanto, para os mais desinformados, cumpre dizer que é uma expressão inglesa que descreve notícias falsas disseminadas pela internet, visando sua maior propagação devido à rapidez dos meios digitais, com o objetivo incutir na mente das pessoas uma ideia diversa da realidade a respeito de um assunto. Essa divulgação pode se dar via e-mail, mensagens de áudio, aplicativos de conversas, mensagens SMS do celular e diversos outros modos.

 

Dispensa informar o quanto essas Fake News são de grande prejuízo para diversos setores da sociedade. Mais recentemente, durante a pandemia de Covid-19, foi grande o esforço dos gestores públicos em desmentir diversos boatos a respeito das vacinas, tratamentos ineficientes contra a Covid e a irrelevância da pandemia. Por certo que muitas pessoas, eivadas de sentimentos políticos, atrapalharam o andamento do combate ao novo coronavírus.

 

O assunto é tão relevante que, junto da CPI da Pandemia, instalada pelo Senado Federal com fins de averiguar a má gestão e reponsabilidade dos administradores públicos durante o combate da Covid-19, adveio a colaboração técnica de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito das Fake News. Segundo informa a Agência Senado, “a intenção é investigar uma possível rede de disseminação de notícias falsas sobre temas como a eficácia das vacinas contra o coronavírus e a existência de tratamentos precoces”.

 

Contudo, os ataques não param por aí. O processo eleitoral sofre bastante com a disseminação dessas notícias falsas. Por vezes esse meio passou a ser maneira que políticos inescrupulosos encontraram para derrubar seus adversários enquanto se esquecem de focar em suas próprias campanhas eleitorais e acreditam que o meio infalível para uma vitória é manchando, a qualquer custo, a reputação dos concorrentes. A questão se tornou global e foi bastante discutida durante as eleições do ano de 2016, nos Estados Unidos, nas campanhas eleitorais de Donald Trump e Hillary Clinton. Não foi diferente no Brasil durante as eleições presidenciais de 2018, onde o povo brasileiro se viu em meio a um verdadeiro show de horrores, com candidatos espalhando as mais bizarras e diversas informações que visavam desmantelar a campanha de seus adversários.

 

Apesar de toda essa situação alguns setores da sociedade trabalham para diminuir o impacto da disseminação das notícias falsas e procuram conscientizar a população por meio de campanhas que desenvolvem seu senso crítico visando filtrar as informações que são recepcionadas. Ainda, cumpre destacar que existe um grande número de pessoas que sabe delimitar as informações que recebe e se utilizam de um adequado juízo de valor a respeito das notícias que consomem, ou seja, em uma linguagem descontraída e utilizando-me das palavras de uma famosa canção da banda Charlie Brown Jr., “quem é de verdade sabem quem é de mentira”.

 

Thúlio Marques Corrêa

Advogado formado pela PUC-MG com atuação na cidade de Muzambinho.

 

Fotos:

G1 Globo

Arquivo Pessoal

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