FERNANDO BARBOSA – Cafeicultor de São Pedro da União fala sobre o desafio da safra de café 2023

O mercado de café está passando por um momento desafiador, segundo Fernando Barbosa, cafeicultor de São Pedro da União. O jogo da oferta e procura, que rege o mercado, é influenciado por uma série de fatores relacionados à cadeia produtiva como um todo.

 

Quando o mercado está em alta, dizemos que ele é altista, mas quando cai, é baixista. Essa dinâmica é constante. Ontem saiu mais uma previsão do IBGE com redução na produção quanto as projeções das maiores trader comenta ao contrario com uma safra recorde na historia, além de outras informações que o estoque de passagem é o mais baixo do século, então os produtores estão ficando sem rumos e desorientados. No entanto, fato é que nos últimos anos, o clima tem exercido um grande impacto na produção. Justamente quando os produtores poderiam se capitalizar, o mercado tem pressionado os preços para baixo, alegando informações sobre a maior safra da história. Isso tem sido discriminatório, pois muitas vezes essas informações se tornam verdades distorcidas.

 

Na realidade, temos observado grãos com peneiras maiores, mas o rendimento do beneficiamento não está correspondendo. Além disso, devido à falta de mão de obra, muitos produtores estão optando por colher a safra mesmo com grãos ainda verdes. A janela de colheita é curta e temos enfrentado relatos de chuvas e frio nesse período.

 

Não podemos esquecer das perdas causadas por geadas e chuvas de granizo ocorridas nos últimos anos. Infelizmente, o foco tem sido nas informações negativas para o mercado, com notícias de uma grande safra. Precisamos mudar esse cenário!

 

Os produtores de café precisam sair dessa bolha de mercado e se unir para oferecer cafés com mais transparência e conquistar o mercado internacional. A identificação de origem e a sustentabilidade serão determinantes para os preços das futuras safras. Se as regiões não começarem a trabalhar em conjunto, o Brasil perderá cada vez mais espaço no mercado.

 

Estamos percebendo que os produtores estão sempre de mãos atadas, e a única forma de sair dessa situação é se unir e fortalecer os grupos, promovendo suas regiões e divulgando seus cafés individualmente. Assim, poderemos ganhar espaço contando nossas histórias e fortalecendo a região de origem.

 

Não é momento de desespero, mas sim de fortalecer a cafeicultura de origem controlada e se organizar em união com grupos que estão trabalhando para promover a região. Em breve, teremos uma plataforma revolucionária que irá transformar o sistema de vendas de café no Brasil.

 

Fernando Barbosa é parceiro da Rede de Comunicação Amauri Júnior e hoje lidera uma região no Sudeste de Minas, diz que para enfrentarmos juntos os desafios da safra de café 2023 tem que estar alinhado e unidos em único objetivo.

 

Colaborou: Fernando Barbosa

Cafeicultor em São Pedro da União e presidente da Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas